Uma Bailarina Apresenta...

Bruxas...

:: O Perfil das Bruxas ::

É difícil reconhecer uma bruxa somente pelo físico. Algumas pessoas fazem questão de mostrar que são "bruxas": aquelas que se vestem constantemente de preto, utilizam uma corrente com o pentagrama ou algum pingente de cristal, outras têm cabelos compridos repartidos ao meio e unhas compridas, às vezes pintadas de preto. Mas nem sempre elas são o que dizem ser, muitas vezes até porque não sabem como devem ser. Ser bruxa não é utilizar feitiços quando quando as nossas possibilidades para resolver um problema estão esgotadas. Não é também conhecendo o nome das ervas e decorando as jogadas de tarô que nos tornamos bruxas. Ser bruxa não é manipular o mundo através dos poderes sobre-humanos.

A autêntica bruxa mora no interior da pessoa. É aquela mulher que aparenta ser o que é de verdade, satisfeita com o que é e não se preocupando com a opinião alheia em demasiado. A bruxa sempre traz em qualquer ambiente, um clima de força e alto astral. Elas estão por todas as partes, destacando-se pela sua sensibilidade, beleza indescritível e energia contagiante.

Para a maioria das bruxas, o senso de humor é indispensável. É sempre importante estar de bem com a vida, semeando força e alegria.

No instante em que nos tornamos bruxas, nos tornamos muito mais sensível, pois começamos a prestar atenção nas coisas que até então passaram despercebidas.

Quando uma bruxa entra numa floresta, por exemplo, sente toda a intensidade das vibrações das árvores e plantas, se emociona com o delicado desabrochar das flores, se deleita com o barulho das águas se encanta com o canto e o movimento de qualquer pássaro ou animal.

A bruxa assume sempre o seu papel como mensageira e guardiã da Grande Mãe. Ela não se gaba como uma criatura que possui poderes sobrenaturais, capaz de conseguir tudo num estalar de dedos. A bruxa possui a consciência de que é alguém como qualquer outro, assumindo a sua condição com simplicidade e naturalidade.

Ser bruxa é saber que não estamos limitados apenas a simples indivíduos de uma sociedade: somos habitantes de um Universo imenso e infinito, não de uma cidade apenas. Devemos saber também que o tempo não está apenas limitado a um simples calendário, onde o passado, o presente e o futuro se encontram em ordens distintas. na verdade, o tempo é dividido em várias dimensões diferentes e seu andamento não é paralelo e, sim, circular. É exato, porém, estranho de admitir que todo futuro vira presente, que todo presente vira passado, todo passado é feito de presente e que um dia já foi futuro. E como explicamos as previsões do dos clarividentes, as pequenas premonições que temos no dia-a-dia e as revelações de grandes profetas que realmente acertaram suas profecias?

Essa noção de espaço e tempo adquirimos sempre parcialmente, pois o segredo do Universo não está ao alcance de ser entendido pela mente humana. Sabemos apenas que sua força é grandiosa, complexa, infinita e perfeita.



:: Uma bruxa é o fruto do amor entre a Terra e a Lua ::

Descobrimo-nos bruxas quando conseguimos nos perceber enquanto mulher. De nada adianta querer ser feiticeira se não se conhece o segredo do feminino! É necessário primeiro o reconhecimento da fêmea que trazemos dentro de nós, essa parceira desconhecida que nos acompanha desde o nosso nascimento. Uma parceira silenciosa, que aponta a cada instante o caminho da sensibilidade.

Costumamos, entretanto, estar tão ocupadas com nosso universo cotidiano, que nem ouvimos sua voz doce e suave.

Para nos descobrirmos mulheres é preciso aguçar os sentidos e, assim poder vivenciar plenamente as experiências. Isso poderá, a princípio, parecer complicado, mas, iniciando com pequenas tentativas ,constataremos estar cada dia mais perceptivas.

Experimente, ao tomar banho, explorar seu corpo suavemente. Sinta cada dobra de pele, cada osso, do mais saliente ao mais escondido. Deixe que a água percorra seu corpo. Não tenha medo de sentir prazer e, ao sair do banheiro, você experimentará extraordinária leveza interior.

Quando começamos a nos descobrir mulheres, um novo mundo se descortina à nossa volta. Ficamos muito mais susceptíveis e, por conseqüência, muito mais completas. Claro que essa sensibilidade trará, inicialmente, alguns contratempos com o universo masculino, pois seremos, então, donas absolutas do nosso prazer, o que é um tanto complicado de ser entendido pelos homens. Mas será exatamente essa posse do prazer que nos permitirá ajudar nossos parceiros na captura de sua sensibilidade própria.

O universo feminino foi por séculos sufocado por uma sociedade fálica, onde predominou a linguagem do poder. Nesse discurso, não encontramos em momento algum a doçura da transcendência. Tudo fica estabelecido num sistema quadrado, composto por retas e inibidor de curvas. Voltas sinuosas que nos indicam sempre o caminho da profundidade. A própria púbis é traçada por dois montículos que, delicadamente, se vão estreitando até a espiral da vagina.

Nesse mundo de retas, sempre voltadas para fora qual grandes lanças, a espiral feminina ficou espremida, sufocada a tal ponto, que se cobriu de uma casca espessa que não deixa a mulher se perceber.

Ao próprio homem, esse pensamento retilíneo trouxe tal rigidez, que o afastou melancolicamente de sua parceira, deixando-o irremediavelmente solitário e, por sua vez, também oprimido.

Cabe a nós, mulheres restituir as curvas para melhor conviver com nossos parceiros. Só assim poderemos dançar juntos pelos campos onde outrora celebrávamos, também em parceria, a colheita. E você experimentará o maravilhoso de, sentando-se na grama sentir o pulsar alegre que ela emana, o sublime ato de, ao tocar suavemente as asas de uma borboleta, perceber nos dedos o seu cumprimento delicado. Restabelecida essa ligação, veremos que somos parte de um maravilhoso sistema encantado e não mais sentiremos medos e angústias, pois estaremos pulsando num mesmo compasso.

O grande erro do ser humano foi acreditar-se o único ser inteligente em meio à natureza, tornando-se, assim, um espécime solitário e infeliz. Quando digo ser humano, estou me referindo à civilização dita humanizada, pois não encontraremos essa infelicidade nos ditos primitivos. Esses povos possuem a profunda sabedoria da natureza, sendo, por isso, incrivelmente felizes!

Uma bruxa poderia ser considerada, pelo homem civilizado, alguém essencialmente primitivo, alguém que não presta atenção ao serviço de meteorologia, uma vez que é profunda conhecedora dos movimentos do tempo.



:: Oração das Bruxas ::

Que eu seja como algo que tece o pano na floresta, profundamente escondido. Que eu possa fazer o meu trabalho sem interrupção.
Que eu seja uma exilada, se é este o sacrifício. Que eu conheça a procissão sazonada do meu espírito e do meu corpo, e possa celebrar os quartos em cruz, soltícios e equinócios.
Que cada Lua Cheia me encontre a olhar para cima, nas árvores desenhadas no céu luminoso.
Que eu possa acariciar flores selvagens, cobri-las com as mãos.
Que eu possa libertá-las, sem apanhar nenhuma, para viver em abundância. Que sejamos inocentes e despretensiosos.
Que eu seja capaz de gratidão. Que eu saiba ter recebido a alegria, como o leite materno. Que eu saiba isso como o meu cão, nos ossos e no sangue.
Que eu fale a verdade sobre a alegria e a dor, em canções que soem como aroma do alecrim, como todo dia e na antiguidade, erva forte de cozinha. Que eu não me incline à auto-integridade e à autopiedade.
Que eu possa me aproximar dos altos trabalhos da terra e dos círculos de pedra, como raposa ou mariposa, e não perturbar o lugar mais que isso. Que meu olhar seja direto e minha mão firme. Que minha porta se abra àqueles que habitam fora da riqueza, da fama e do privilégio.
Que os que jamais andaram descalços não encontrem o caminho que chega à minha porta.
Que se percam na jornada labiríntica.
Que eles voltem.
Que eu me sente ao lado do fogo no inverno e veja as achas brilhando para o que vier, e nunca tenha necessidade de advertir ou aconselhar, sem que me peçam.
Que eu possa ter um simples banco de madeira, com verdadeiro regozijo.
Que o lugar onde habito seja como uma floresta. Que haja caminhos e veredas para as cavernas e poços e árvores e flores, animais e pássaros, todos conhecidos e por mim reverenciados com amor.
Que minha existência mude o mundo não mais nem menos do que o soprar do vento, ou o orgulhoso crescer das árvores.
Por isso, eu jogo fora minha roupa.
Que eu possa conservar a fé, sempre.
Que jamais encontre desculpas para o oportunismo.
Que eu saiba que não tenho opção, e assim mesmo escolha como a cantiga é feita, em alegria e com amor.
Que eu faça a mesma escolha todos os dias, e de novo.
Quando falhar, que eu me conceda o perdão.
Que eu dance nua, sem medo de enfrentar meu próprio reflexo”



:: Significado das Bruxas ::

Bruxa, em sânscrito, quer dizer “mulher sábia” ou sabedoria feminina, ou seja, deusa, mulher mágica, mulher = bruxa.
Uma bruxa é geralmente retratada no imaginário popular como uma mulher velha e encarquilhada, exímia e contumaz manipuladora de Magia Negra e dotada de uma gargalhada terrível. É inegável a conexão entre esta visão e a visão da Hag ou Crone dos anglófonos. É também muito popularizada a imagem da bruxa como a de uma mulher sentada sobre uma vassoura voadora, ou com a mesma passada por entre as pernas, andando aos saltitos. Alguns autores utilizam o termo, contudo, para designar as mulheres sábias detentoras de conhecimentos sobre a natureza e, possivelmente, magia.


Bruxinha...



"Ser uma Bruxa é ter...
A Força dos Céus,
A Luz do Sol
O Brilho da Lua
O Resplendor do Fogo
A Presteza do Vento
A Profundidade do Mar
A Estabilidade da Terra e
A Firmeza de uma Rocha."